Fitei bolas de cristal cobertas de um negro pano
Onde o mistério reinava imperial e soberano
Numa província de atrevidos servos olhares
De uma jovem que deixou todos os altares
Incrédulas rosas que desabrocharam sozinhas
No palácio da sabedoria que o homem definha
Caindo as pálpebras num sono quase eterno
Num túmulo alvo de encantados olhos céticos
Um mar de carência perpetuava os negros olhos
E dentro as ondas submergiam seus sonhos
A brisa que voava na evasão dos ares reais
Juntava-se ao seio dos vãos olhos serviçais
Por de trás de todo o muro tácito e descrente
Um coração desmanchado e por vezes, distante
Os olhos céticos penetravam como duas insônias
Em uma longa fascinação sinfônica
Eu, que sobre júbilos gorjeio versos sonhadores
Entrego o dispor de uma vida aos teus temores
O que o universo separa através de reclamações
Unifica com fortaleza todas as hesitações
Os olhos céticos escondem a brancura do peito
Perante um mundo lapidado de desprezos
Talvez o medo, um obséquio da temeridade
Construa os vidros da subjetividade.
Olhos negros céticos profundos e carentes
Sonham no fundo da alma sonhos inocentes
A coroa da sabedoria reina sobre o coração
Tornando seus sonhos uma adormecida canção.
retirado do Conto "Teus olhos céticos", Alice Maria.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
terça-feira, janeiro 26, 2010
Onde há Sol
O sol do infinito brilha lá onde vive o céu
O diamante que sobe o orgulho dos cegos
Corta os pulsos de nossas crianças africanas
Derramam o suor dos deuses negros
As mulheres desnudas aidéticas e pobres
Bebem a água da lama da chuva sem ânsia
Anseiam apenas saciar a sede da mente
Lutam contra a fome com sua dança
Deus que mora em um planeta solitário
Vê o círculo que se fecha em torno dos homens
Cada um vulgarizando e vendendo seu corpo
Matando a nascente do amor, assoreando a fonte
Os olhos faiscando carência, negros fortes
Pedindo paz, mas só há obediência
A hierarquia que afunda o ser humano
Num mundo sóbrio de demência
Toda civilização que sobe seu auge
Mergulha, um dia, na derrota perdida
Engolem a saliva das palavras não ditas
E bebem o sangue de suas feridas
As lágrimas irão fazer águas dulcícolas
A areia vai desmanchar nas ondas
E as águas inundarão o pensamento podre
De todos os reis que vivem de sombras.
A humanidade vai aprender a valorizar
Cada pedaço da árvore que é cortada
E lá na África todos irão brindar
A estupidez arruinada.
O diamante que sobe o orgulho dos cegos
Corta os pulsos de nossas crianças africanas
Derramam o suor dos deuses negros
As mulheres desnudas aidéticas e pobres
Bebem a água da lama da chuva sem ânsia
Anseiam apenas saciar a sede da mente
Lutam contra a fome com sua dança
Deus que mora em um planeta solitário
Vê o círculo que se fecha em torno dos homens
Cada um vulgarizando e vendendo seu corpo
Matando a nascente do amor, assoreando a fonte
Os olhos faiscando carência, negros fortes
Pedindo paz, mas só há obediência
A hierarquia que afunda o ser humano
Num mundo sóbrio de demência
Toda civilização que sobe seu auge
Mergulha, um dia, na derrota perdida
Engolem a saliva das palavras não ditas
E bebem o sangue de suas feridas
As lágrimas irão fazer águas dulcícolas
A areia vai desmanchar nas ondas
E as águas inundarão o pensamento podre
De todos os reis que vivem de sombras.
A humanidade vai aprender a valorizar
Cada pedaço da árvore que é cortada
E lá na África todos irão brindar
A estupidez arruinada.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Aprendiz
Dos sonhos, a vontade.
Dos beijos, a saliva.
Da vida, a saudade.
Das pessoas, a mentira.
Do mel, o fel.
Da dor, a resistência.
Das tardes, o céu.
Do desejo, a inocência.
Das noites, a solidão.
Do medo, o desafio.
Das paixões, ilusão.
Do calor, o frio.
Do atalho, o precipício.
Do pensamento, discussão.
Do tédio, o suicídio.
Do amor, imensidão.
Dos beijos, a saliva.
Da vida, a saudade.
Das pessoas, a mentira.
Do mel, o fel.
Da dor, a resistência.
Das tardes, o céu.
Do desejo, a inocência.
Das noites, a solidão.
Do medo, o desafio.
Das paixões, ilusão.
Do calor, o frio.
Do atalho, o precipício.
Do pensamento, discussão.
Do tédio, o suicídio.
Do amor, imensidão.
Divino Esplendor
Neve flamejante a raiar no céu
Porta entreaberta do desejo
Segredo guardado no véu
Esplendor que almejo
Divina graça das graças
Loucura em versos cantada
De meus olhos, caça
De meu corpo, asas.
Porta entreaberta do desejo
Segredo guardado no véu
Esplendor que almejo
Divina graça das graças
Loucura em versos cantada
De meus olhos, caça
De meu corpo, asas.
Céu de Correntina
Quando o céu de Correntina molhar a serra
Subirei em árvores para tocá-lo
Afagá-lo-ei em beijos e abraços
De ciúmes irei corar a terra
Versificarei seu sorriso celeste
E em prosas irei contemplá-lo
Único és em todo o mundo vasto
Linda paisagem junto ao solo agreste
Quando, por vezes, triste ficar
Abraçarei sua angústia de inverno
Espiarei sua imensidão a nublar
E sentirei teu choro tão terno
Céu sedutor como este não há
O azul da ternura, o cinza da maldição
És todo o desejo de amar
E toda a fervura da paixão.
Subirei em árvores para tocá-lo
Afagá-lo-ei em beijos e abraços
De ciúmes irei corar a terra
Versificarei seu sorriso celeste
E em prosas irei contemplá-lo
Único és em todo o mundo vasto
Linda paisagem junto ao solo agreste
Quando, por vezes, triste ficar
Abraçarei sua angústia de inverno
Espiarei sua imensidão a nublar
E sentirei teu choro tão terno
Céu sedutor como este não há
O azul da ternura, o cinza da maldição
És todo o desejo de amar
E toda a fervura da paixão.
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