sábado, janeiro 08, 2011

Posso brincar com as nuvens
Os loucos podem brincar
E eles têm imediatismo
São românticos
Certamente terão algo rasgado
Os loucos cospem no palácio
Não têm casas
São suas casas
Uma caneta é um cigarro
Um papel é um barco
Nunca correm riscos
Eles o fazem.
Os loucos têm espadas
E você não pode deter
A impaciência de um louco.
O louco um dia é chamado de louco
Descomedido, coitado.
E muita vez ele se regozija com isso.
Um louco também é visto
Como temperamental.
O melhor lugar para se encontrar um
É em lugares isolados,
Talvez inóspitos
Não porque ele seja sócio pata, esquerdista
Ou fugitivo,
Mas porque quase sempre ele está
Imaginando.
Discordando.
Um louco não habita seu lar,
Ele invade
Destrói seus conceitos,
Te faz confuso,
Te ama e te deixa
Mas ele volta e te faz feliz
Os loucos não planejam,
Eles precisam do mundo
E o mundo não precisa deles.
Eles voltarão para ver o ocaso
Eles tentam mudar o padrão
Mas, você insiste que não.
A idéia é uma nuvem.
Os loucos fazem dela imagens, artes
Brincam no seu âmago
Para torná-la talvez, melíflua aos paladares não aprazíveis.

sábado, dezembro 18, 2010

Solidão não se espera. Solidão se tem ou não se tem. Solidão da alma. Solidão é uma roupa, um adereço acompanhante a uma modelo que reina a passarela. Solidão se come, se bebe, se deita. Diariamente. Solidão do olhar, do salão de beleza. É a solidão dos homens, do ego. Solidão é o egoísmo. Ser sozinho é estar no centro, e se esquivar. Solidão combina com carros nos bulevares, com as mulheres em seus prostíbulos, com lojas, roupas em vitrines. Solidão combina com beijos carentes, homens hedonistas, com sadomasoquismo, e também, umbigo. Solidão é a ausência de algo ou alguém? Isso é egoísmo, logo deve ser também solidão. Por que almejar alguém ao lado? Sempre... Sempre... Aquela velha conversa de não ter a quem solicitar... De não ter atenção e cuidados para si. Isso é egoísmo, isso é solidão, isso é vácuo. Solidão é se importar em não ter, não possuir, não satisfazer os desejos da evasão materialista. Mas, isso não é pecado, é exercer a qualidade de ser ‘humano’.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Novembro

Novembro cor de fumaça, chuva, medo, casas pálidas
Meus olhos fundos, uma pergunta, frio, casas pálidas
Rejeição, dúvidas, desamor, casas pálidas.
Mãos ávidas por calor, meus olhos cálidos.
Não me mate, ânsia
Dê-me afago, ânsia
Acalenta-me, sucumbo-lhe.
Eles se entregam cálidos nas avenidas
Entrego-me a mim, pálida.
Levo-me ao meu interior,
Queimo... Flâmula, fogo, afã.
Não me chamam,
Não há chama,
Palidez.

quarta-feira, outubro 13, 2010

VOCÊ

Você que ama, você que sente o arrepio da existência
Compreende melhor o segredo que não é revelado,
Você que chora no calor do sol, e vibra nas loucuras da vida
Você que é um espectro, que tem alma de anjo,
Que olha o infinito da alcova, senta no divã e escreve poemas.
Você, breve infeliz, que veio ao mundo para servir de resistência, de telescópio, que observa e estuda.
Você que é arbusto no vento indomável, que joga cartas para alguém, lê o futuro, decodifica, ou quer ser entendido pelos deuses.
Você que é aquele, nunca este. Que está longe de lamentar e mendigar vaidade, homem fugitivo, mulher.
Você que reencarnou em uma coruja, que tudo vê, e anuncia. Que é peregrino em seu lar, que faz acordes para a sinfonia apocalíptica. Que sofre, sem temer, geme sem desesperar. Que se incomoda. Que não dá risada banal.
Você que não escreve por parágrafos, não obedece as regras gramaticais
Você é uma criança.
Você que segura o pecado, mas não sabe. Que guarda a chave da inocência, que se chama sem nome, que não sonha ambições, que ouve os gritos de si próprio.
Provavelmente, você tem um livro.
Você que não zomba da felicidade, e não tem definição pro ódio, que se encanta pelo olhar qualquer em um quadro de pinturas, que tem um santo, e que não tem.
Que se chama José, ou que encontrou o seu destino.
Você que não se importa com a tristeza
Mas, que a carrega, sobretudo,
Para não perder a razão.
Você que nasceu sem razão, sem amuleto, que não carrega conceitos,
E mata, e pratica a antropofagia, sem nexo, sem sexo,
Em total estado primitivo.
Você, que diverge,
Extasia-me.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Soneto do Acaso

O acaso, vento sem direção, me levou
Entre labirintos a um jogo de mistério
Em prosas e olhares certeiros, tornou
Breve doçura de paixão, em caso sério.

Não pude acreditar em toda imensidão
Loucura efêmera de sonho, talvez tolice
Se meu olhar dissesse sequer um não
Mentira seria... Olhos de Alice!

Embora a exclamação traga em si o inédito
Sinto que aqueles primeiros olhos não foram primeiros
Em vida ou devaneio, aqueles já me foram velhos

Guarde em ti, única promessa, dentro de toda maldade
A nossa aliança, mesmo que como poeira no deserto
Voe aos horizontes, no final, a nossa fidelidade.